quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vídeo e Texto




O Texto
O destino do quadro Tô de Folga é Areia Branca, no Rio Grande do Norte. A maior riqueza da cidade é também o que mais atrai os turistas: as minas de sal.
De Natal até lá são 330 km pela BR304 e BR310 depois de Mossoró.
Na entrada da cidade já dá pra ver a maior riqueza de Areia Branca: o sal. Com a evaporação da água do mar, o sal vai se depositando nas margens dos tanques. Na cidade, dá pra pegar uma balsa pelo rio Ivipanim e ver as salinas ainda mais de perto.

“Nós estamos aqui numa região, que apesar de litorânea, é quente é seca. Tudo isso favorece pra essa grande produção de sal”, explica Francisco Melo, secretário do Turismo de Areia Branca.

As visitas às salinas são gratuitas nos horários comerciais. Dá pra pegar o sal com a mão e tirar foto ao lado das pilhas.

Em barcaças são transportadas 1200 toneladas de sal das salinas para o terminal Porto-Ilha. Ao todo, por ano, nas três salinas de Areia Branca, são produzidas 700 mil toneladas. Produto que é consumido tanto internamente quanto exportado.
Areia Branca tem 45 quilômetros de litoral. São seis praias. Só uma é urbana.
Uma das características da praia de Upanema é que nas horas de maré seca é possível andar vários metros mar adentro com a água abaixo do joelho. “É sempre calmo e sempre muito confiável pra gente estar com as crianças”, diz a dona de casa Carla da Silva Santos.

A cidade tem um hotel e dez pousadas com diárias variando entre 60 e 110 reais. É também por lá que se pode fazer uma pausa para o almoço. Os pratos custam de 15 a 30 reais e a especialidade são os frutos do mar.
“A gente pediu um ensopadozinho de búzios, acompanhando uma farofinha e uma macaxeirazinha frita. Estava ótimo”, conta o músico Giovane Azevedo.
As outras praias são isoladas. O charme é ir pela beira-mar. Na praia Baixa Grande o turista fica praticamente sozinho. Na São Cristóvão, o movimento fica por conta dos pescadores.

De um lado vegetação típica do sertão: algaroba, jurema, cacto. Do outro as belezas do litoral. São essas as características que fazem a diferença nas praias da região.
“Interessante, né? Você percebe nitidamente a vegetação mudando. Mas o principal são as dunas. Elas são um aspecto particular aqui”, comenta o turista Arlindo Flávio da Conceição.

Ponta do Mel foi cenário de filme: "Maria, mãe do filho de Deus", do padre Marcelo Rossi. A parte da crucificação foi gravada em uma falésia de lá e virou ponto de visitação.
Areia Branca é um passeio perfeito pra quem quer curtir a folga num lugar bem tranquilo.

(Informações da Globo.com/Jornal Hoje).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Céu Que Nos Protege


Poderia começar dizendo do frio na barriga de pura emoção na saída de Natal quando a voz linda de Zizi Possi cantou como se adivinhasse como eu estava “prepare seu coração pras coisas que vou contar...”
Poderia sim, mas, para ser honesta, vou contar que a emoção foi de bem antes, foi há duas semanas, quando liguei para Antonia Zilma e perguntei se a cidade de Areia Branca ficava perto de Mossoró e ouvi um “sim, mas ou menos uns 40 mim.. por quê?”
Poderia dizer que quase sem fôlego contei que iria realizar um trabalho por lá - sobre o qual escreverei oportunamente - e finalmente iria conhecer cada um de vocês e abraçá-los.
Poderia dizer que a emoção maior foi comunicá-los da minha ida e receber de todos um carinhoso “seja bem vinda, estaremos lhe esperando”... poderia e direi da felicidade que foi ser acolhida assim!
Ah, queridos não imaginam a alegria, a felicidade com que esperei chegar a viagem para realizar o trabalho e finalmente, poder encontrar e abraçar quem faz parte da minha vida, mesmo que de uma forma pouco convencional, como é a via virtual.
Certamente que a emoção e o carinho, o respeito e a amizade que nos aproximou sempre foi muito real, me fez/faz muito bem e poder sentir isso de perto foi um presente maravilhoso! Meu mantra “Por sorte ou merecimento cada palavra desejo, por paixão, encantamento cada desejo, palavra”... funcionou muito bem em relação a vocês e eu fui recepcionada como amigos tratam seus afetos: com alegria, gentileza, delicadeza e carinho suficientes para abastecer meu coração e minha alma para sempre!
Creio firmemente também que nos encontraríamos qualquer dia desses, quem sabe em algum encontro programado por nós mesmos, para esse fim, ou algum encontro de educadores, mas, protegida que sou pelos céus, a própria vida se antecipou e nos oportunizou esse momento e nem preciso dizer o quanto agradeço. Realizado o trabalho ao longo do longo dia 18, lá estava eu abrindo a porta para os abraços tão esperados!
Noite perfeita! Foi um prazer desfrutar da companhia de pessoas tão queridas e ainda fazer novos amigos, como o impagável, agora imortal Mário Gerson, de simpatia e humor cativantes e o gentil e carismático poeta Antonio Francisco.
Nosso encontro foi mais que um encontro. Foi um reencontro de almas que amam a literatura e buscam o convívio de iguais na missão que cada um vive, nessa dimensão. Uma emoção que só a poesia da vida poderia descrever e por isso quero me dirigir a cada uma e cada um, para agradecer e dizer da minha alegria.

Edna Lopes, no Recantos das Letras em 22/10/10
Imagem: Rio Ivipanim

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Plano Diretor de Areia Branca


Artigo nº 01 - Giácomo Palumbo e o Plano Diretor de Areia Branca.

GIÁCOMO PALUMBO, arquiteto e urbanista italiano foi convidado na década de 20 pelo governador Juvenal Lamartine para elaborar o que chamou de "Plano de sistematização urbana de Natal".

Foi uma proposta técnica antecipadora e que grandes benefícios trouxe para o desenvolvimento urbano da nossa cidade.

FRANCISCO FAUSTO DE SOUZA, foi o primeiro Prefeito Municipal eleito do Município de Areia Branca, no triênio 1929/1931.

Exerceu também, por seismandatos, o cargo eletivo de deputado estadual. Era Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN, historiador e genealogista, autor doensaio "À guisa da história do município de Areia Branca " e " História de Mossoró", obras publicadas em 1979 pela Editora Universitáriada UFPB.Patrono daCadeira 35 da Academia Norte-Riograndense de Letras por indicação de Luís da Câmara Cascudo, hoje ocupada pelo Prof.

João Batista Cascudo Rodrigues, de Mossoró, Cel. Fausto, como era conhecido, é nome de rua em Areia Branca,Mossoró e Natal, além de patrono da Loja Maçônica da cidade que tão bem dirigiu.Giácomo Palumo e Cel. Fausto eram amigos.

A informação nos foi dada pelo seu filho, historiador Luís Fausto de Medeiros, em 1978. Luís Fausto, grande batalhador pelo porto de Areia Branca, que inclusive leva o seu nome, é pai do Ministro do STJT, Dr. Francisco Fausto de Medeiros, também testemunha das várias vezes em que seu pai narrou o fato objeto deste trabalho.Homem de visão, o Cel. Fausto solicitou de Palumbo um plano para disciplinar o crescimento da sua cidade. O arquiteto e urbanista italiano esboçou o plano após solicitar e receber de Fausto, uma planta topográfica da cidade, inclusive com observações de suas características geográficas.

A boa disposição urbana da cidade chama a atenção de leigos e estudiosos do assunto. O historiador e folclorista areiabranquense Deífilo Gurgel, em artigo feito par O Poti em 12/02/89 intitulado "Areia Branca, meu amor, " já chamava atenção para o fato, embora dando autoria do plano ao próprio Cel. Fausto que, na realidade, foi apenas o executor do trabalho do arquiteto italiano. A concepção é inteligente e, na sua essência, assemelha-se à de Brasília: um eixo central traçado a partir de uma perpendicular ao Rio Mossoró e contendo os edifícios públicos (Igreja, praça, prefeitura, mercado público, usina, escola Conselheiro Brito Guerra, praça de esportes - hoje INSS - correios, clube, posto de saúde,praça e maternidade), duas ruas paralelas ao eixo principal e destinadas ao comércio e serviços e as ruas e alamedas transversais, exatamente duas asas,norte e sul, destinadas às residências. Organizou também o cemitério, o matadouro público e uma das maiores bibliotecas públicas do Estado naquela ocasião, além de vários outros equipamentos comunitários.Pelo levantamento que estamos procedendo, somados à documentação fornecida por Luís Fausto, com comovente dedicatória, tudo indica que o plano de Areia Branca foi feito antes do de Natal. Na UFRN, procedemos a um estudo comparativo entre as propostas urbanas feitas para as duas cidades, objetivando detectar pontos comuns entre elas.

Sobre Natal já existe uma boa documentação. No caso de Areia branca, estamos colhendo ainda novos elementos. Sendo uma pessoa ligada ao Cel.Fausto por laços familiares, o esforço de pesquisa tem sido concentrado na tradiçãooral dos parentes ainda vivos, contemporâneos do ilustre homem público. O trabalho é um desafio muito grande pois a iniciativa de Fausto só tem paralelo para a época no grande trabalho de Januário Cicco sobre o saneamento urbano de Natal, obra intitulada "Como se higienizaria Natal"',documento raro cuja cópia nos foi fornecida pelo saudoso Hélio Galvão.

Estamos divulgando agora os primeiros resultados da nossa pesquisa, numa hora em que Natal se encontra num ponto crucial da sua história. Tentamos mostrar ser o urbanismo, mais do que a arquitetura, a nossa grande tradição cultural e a cidade, após o aniversário de 400 anos, ter a noção de que não deve perder a sua qualidade de vida do presente - já ameaçada - nem os caminhos do futuro.

Também como forma de alertar aos nossos dirigentes no sentido de cumprirem o preceito constitucional - Capítulo II - Da Política Urbana - O Rio Grande do Norte tem 22 municípios enquadrados nesta lei, mas só Natal possui o seu plano.Este fato, por si só, revela a grandeza do espirito de Francisco Fausto, quando há mais de meio século, sem qualquer exigência legal, apenas calcado na sua visão administrativa, dotou uma pequena cidade do interior do Estado de um Plano Urbanístico para disciplinar o seu espaço urbano.

Ronald de Góes - Arquiteto e Urbanista/Prof. Da UFRN.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Praias de Areia Branca Encantam Pelo Cenário Paradisíaco


Na região oeste potiguar, um litoral privilegiado pela beleza e tranquilidade que só se encontra no interior

Trezentos e trinta quilômetros, três horas e meia de viagem, separam Natal do nosso destino, na região oeste do estado de semelhança com a capital a cidade só tem mesmo as praias, lindas. Um litoral privilegiado ? E você sabe de onde vem o nome desse lugar? Apesar das montanhas de sal, não são elas as responsáveis...

Dunas de areias finas e claras. E é assim em todo o litoral da cidade. característica que deu origem ao nome do municipio: Areia Branca.

São 46 quilômetros de praias praticamente intocadas. A infra-estrutura é simples, palhoças e restaurantes rústicos garantem a refeição de quem veio aproveitar a tranquilidade do banho de mar. Aqui não tem onda e, em raros eventos, tem maior aglomeração.


Areia Branca é uma cidade pequena, tem apenas 27 mil habitantes e dá até pra andar assim, no meio da rua. Mas nos dias festivos a população da cidade chega a triplicar. Como no carnaval, por exemplo.

A folia de momo é conhecida aqui como "arrastão".Isso porque um trio elétrico passa pelas ruas da cidade atraindo milhares de pessoas.

Mas é só a festa acabar pra cidade voltar ao seu ritmo normal. Em Areia Branca, todo mundo passa o fim de tarde e o início da noite assim... do lado de fora de casa.


Cidade do interior é assim: nas calçadas quando não tem as cadeiras com as pessoas conversando em frente as casas elas ficam assim: ocupadas por mesas e cadeiras e as pessoas conversando, comendo e bebendo.

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- Não tenho medo não , nunca aconteceu nada, sempre muito tranquilo, muito bom, a gente fica sempre conversando, jogando papo fora... é bom. … tem essas vantagens.

E pra petiscar... iguaria da casa.


- É típico da região. é uma tripa suína. Vale salientar que ela é previamente fervida, antes, vai ao sol, se estende ao sol e depois volta para a cozinha pra gente fazer todo o preparo e fritá-la em óleo quente, fervendo – explica a cozinheira, Neidinha silva.

Quem vem, volta, e atesta...
- Adoro as praias, a culinária é muito boa também. Já vim várias vezes, não é a primeira vez que eu venho: recomendo – afirma a contadora, Érica Oliveira.

Veja texto e vídeo em
InterTV

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Calamidade No Nordeste



O Relato

Nos idos dos anos 60, visando reforçar o atendimento do SAR a determinados tipos de emergências, onde o emprego de helicópteros era fundamental, a 1ª ELO foi acionada algumas vezes nesse sentido, mediante o transporte aéreo do H-13 a bordo de um C-82, para agilizar o deslocamento às grandes distâncias...

... No decorrer da missão, foram surgindo outras incumbências para o H-13. O coordenador do governo estadual liberou o helicóptero para jornalistas que cobriam a calamidade, trazidos a Mossoró pelo C-47, em detrimento do material pesado de oficina para manutenção do H-19, os quais foram levados para sobrevôo da salinas de Areia Branca, inundadas na foz do rio Apodi, atrasando as missões de atendimento aos flagelados. Nessa oportunidade, estivemos também na localidade de Passagem de Pedra, onde dias antes um médico levado pelo helicóptero havia socorrido diversos enfermos, o que me valeu um presente inesperado – uma galinha viva. Não podendo recusar a oferta para não ofender aquela gente simples e despojada, o presente me foi útil mais tarde.

De outra feita, o próprio coordenador oficial, então pré-candidato nas eleições estaduais próximas, utilizou o H-13 por quase todo o dia para percorrer redutos eleitorais, promover reuniões políticas e fazer “corpo-a-corpo”. Esta última ação eleitoreira ganhou aspectos inconvenientes, quando o helicóptero da FAB, pilotado por um Oficial da Ativa, sobrevoou um acampamento de caminhoneiros retidos na estrada para Açu aguardando o conserto de uma ponte que ruíra, depois de visitado pela autoridade e, a seu pedido, devia deslocar-se “baixinho e devagarinho” ao longo da estrada congestionada para ele dar adeusinhos.

Esses fatos, reportados aos nossos Comandantes, precipitou a presença em Mossoró do Comandante do 2º/10º Gav, que assumiu de pronto a condução da missão. Embora sua chegada tenha ocorrido em menos de 24 horas, após a comunicação das ocorrências, o H-13 permaneceu no solo em “manutenção preventiva”.

Dias após, tendo se esgotado as horas disponíveis do helicóptero, foi programada uma troca por outro aparelho, que já chegara a Natal para esse fim.

O traslado do H-13 no trecho Mossoró/Natal foi planejado para um vôo de 02:30 horas, com 20 litros de gasolina extra na cabine, quando o sentido inverso foi feito em 01:40 horas. Já no trajeto, o vento forte do Nordeste subjugou a performance da possante aeronave e tivemos de realizar um pouso técnico e final na localidade de Jardim de Anjicos, depois de solicitar pelo rádio um reforço der combustível.

Enquanto aguardávamos o socorro, o guarda-campo local convidou-nos para almoçar em sua casa, uma habitação modestíssima, onde sua esposa nos preparou uma refeição com ovos, arroz e frango desfiado e nos serviu com tanta diligência que nos comoveu. Foi o mesmo que um banquete, considerando as carências que se percebia ao redor.

Na pequena cidade, a população inteira cercava a casa e nos observava como se estivesse vendo extraterrestres , talvez devido ao macacão de vôo com adereços operacionais e o porte ostensivo de arma individual, mas principalmente pela “nave alienígena”, que a todos espantou, quando sobrevoamos as casas e estacionamos no terreno ao lado.

Mais tarde, um T-19 chegou com o combustível e, ao taxiar no gramado alto, entrou numa vala encoberta quebrando a hélice de madeira. Usamos sua gasolina à vontade e trouxemos o piloto conosco para Natal.

Dois dias depois, já nos encontrávamos novamente em operação, vivendo acontecimentos inesquecíveis até o término da missão, quando o rio Apodi baixou permitindo o retorno da normalidade na região afetada.

Regressando a Natal, antes das providências para embarque do H-13 no C-82, tivemos o prazer de atender muitos pedidos de “turno de pista” dos companheiros que ainda não haviam experimentado o sabor de vôo com asas rotativas.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Sal Nosso de Cada Dia



Tomislav R. Femenick

O porto de Areia Branca foi inaugurado em março de 1974, entretanto a luta para que ele se tornasse realidade durou mais de meio século. Muitos foram os homens que dela participaram. Na primeira fase, Miguel Faustino, Jerônimo Rosado, Vicente Ferreira da Mota, Luiz Fausto e muito, muitos outros. Na segunda fase, Paulo Fernandes, Dix-sept Rosado, Vicente da Mota Neto, Vingt Rosado, Antonio Mota, Vingt-un Rosado, Aluízio Alves, Dix-huit Rosado, Francisco Ferreira Souto Filho, Dinarte Mariz, Tarcisio Maia e mais uma legião de pessoas, ligadas ou não à indústria do sal.

Entretanto o "pai do porto" foi Antonio Florêncio de Queiroz. Sua participação mais efetiva deu-se a partir de 1965. Naquele ano, apesar de o governo federal ter consciência da necessidade de se encontrar uma solução para o problema do embarque do sal potiguar, havia uma disputa entre os ministros Roberto Campos, do Planejamento, e Juarez Távora, da Viação e Obras Públicas. O primeiro defendia a tese de que o terminal salineiro fosse realizado pela iniciativa privada, com apoio e financiamento do BNDE (atual BNDES). O segundo se posicionava por uma obra totalmente governamental. Antonio Florêncio, representando os industriais salineiros de Mossoró e Areia Branca, entrou na luta ao lado de Juarez Távora. Paul Ferraz, em nome dos salineiros de Macau, apoiava a idéia de Roberto Campos.

A situação tinha chegado a um ponto critico de impasse, quando o então o presidente Castelo Branco convocou uma reunião com os ministros e os industriais do sal. Nesse encontro, enquanto Florêncio defendia a idéia de um só terminal do governo para servir, indistintamente, às salinas dos estuários dos rios Mossoró e Assu, Paulo Ferraz se posicionou pela solução privada, entretanto só para as salinas de Macau. O resultado foi uma solução intermediária: a criação de uma sociedade única, sob regime de concessão, que contaria com recursos federais.

Com o termino do governo Castelo Branco, tudo voltou à estaca zero. Procurando se antecipar aos acontecimentos, Antonio Florêncio foi aos Estados Unidos e de lá trouxe estudos e projetos, desenvolvidos pela Soros Associates International, Inc., que apontavam a viabilidade técnica de um porto-ilha em Areia Banca, e os entregou ao novo Ministro, o cel. Mario Andreazza. Na mesma época, acossado pela crise que atingiu os salineiros, na safra de 1965/66, Paulo Ferraz desistiu do porto de Macau. Quando tudo pareceu favorável ao projeto do porto-ilha, o Instituto Brasileiro do Sal, na época presidido por Vingt-un Rosado, publicou um estudo defendendo a construção de um porto continental em Mossoró.
Essa nova proposta poderia inviabilizar a construção do porto de Areia Branca, pois se teria que realizar novos estudos técnicos, o que demoraria alguns anos, para se chegar ao que já se sabia: os problemas do assoreamento do canal do mar de Areia Branca e da foz do Rio Mossoró, com obstrução, por areia e outro sedimentos, em conseqüência da natureza das correntes marítimas da costa e do fluxo e refluxo das marés, no estuário do rio.

Florêncio voltou à carga. Fez conferencia na Escola Superior de Guerra, na FIESP-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na FIERN-Federaçao das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, na Câmara Municipal de Mossoró e inúmeros outros lugares, sempre defendendo o porto-ilha; não como a melhor, mas como a única solução racional e possível.

Embora que, em 1969, o governo federal já tivesse decidido que Rio Grande do Norte teria somente um porto salineiro, o de Areia Branca, ainda havia contratempos. Quando Florêncio tentou o apoio dos políticos, segundo suas palavras, "nenhum quis, naquela fase da luta, participar do nosso esforço, pois todos temiam desagradar uma área ou outra". Daí nasceu a sua iniciativa de ingressar na política. Embora não sendo "homem de comícios e estardalhaços nem da tradicional conversa ao pé do ouvido", se elegeu deputado federal por quatro legislaturas consecutivas, de 1971 a 1987. O seu primeiro mandato coincidiu com o inicio das obras de construção do porto, que se prolongaram até 1974.

Hoje o porto-ilha de Areia Branca conta com um cais de atracação de barcaças que tem extensão de 166 metros, de onde o sal é descarregado por três descarregadores; dois com capacidade de 350 toneladas por hora e um com capacidade de 450 toneladas por hora. O sal é estocado em um pátio com área de 15.000m2 e capacidade de 100.000 toneladas. Os navios são atracados em três colunas. Uma ponte metálica, com 398 metros de comprimento e com capacidade de 1.500 toneladas por hora, faz o carregamento das embarcações. O porto possui também duas pás carregadeiras e dois tratores, que operam no pátio de estocagem. A média diária de transferência de sal das salinas para o porto ilha é de 7.000 toneladas.

Tribuna do Norte edição de 28/10/2007
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pedro Januário no Ocaso do Cangaço

Pedro Januário

Dia de Vida ou de Morte

da fazenda Girassol, onde morava o seu amor. O boato já estava espalhado. Com a matutada na espreita, Pedro, cheio de coragem, encostou Gato Prêto na porteira, agachou-se com cuidado - Para os lados de Areia Branca, interior do Rio Grande do Norte, quando Pedro tinha 27 anos, Rosa da Joana, môça bonita das pernas grossas e cabelos longos, andava meio apaixonada pelo “Rei da Capoeiras”, como era conhecido. Com aquela arrogância de cabra macho, cismou um dia e anunciou que ia carregar Rosa, de qualquer jeito.
Gato Prêto estava amarrado debaixo de um pé de oiticica, onde Pedro costumava deixar os bilhetes para a Rosinha. Não pensou duas vêzes. Vestiu a calça de linho branco e uma camisa azul clara de chitão. O chapéu de abas largas não podia faltar. O cigarro BB estava no bôlso, do lado esquerdo.
A tarde morria lá para as quebradas do Dendé. Rodava o tambor do seu 38. Roubar Rosa da Joana seria a missão. Ela tinha um cabra doidinho por seu coração. Pedro Januário não gostava nem de ouvir falar nisso. Era um dia de vida ou morte. Às quatro da tarde, partiu, com revólver, peixeira e fuzil.
Duas léguas e meia até a porteira, para não sujar o linho branco e brilhoso da sua calça, e foi em direção à casa de Rosinha.
Antes, teria que enfrentar mata de cajueiros, um riachinho fino e pequena camada de mata-pasto. Mas nada disso importava. Ela tinha as pernas grossas e sabia ninar gente grande. Era tudo para o “Rei das Capoeiras”.
A primeira recepção foi um tiro, que pegou na barriga e foi sair lá atrás, pelas costelas. Na hora, Pedro praguejou:
- Ah desgraçada. Tô baleado, mas vou aí nem que seja engatinhando.
E foi mesmo. Fulminou uns pestes que estavam de tocaia na Girassol, levou Rosinha e com ela viveu pequena temporada. E esclarece por que a deixou.
- A muié tava ficando muito sapeca. Tive que lhe dar uma surra e nunca mais a gente se encontrou.
Na edição de O Cruzeiro de 15/09/1970
Reportagem de WANDERLEY LOPES e WALTER LUIZ

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O Cruzeiro